Sizão Machado | Sizão Machado |
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Sizão Machado é um dos baixistas mais aclamados da atualidade. Quando se fala o nome dele, todos já vêm com algum elogio. Ele já acompanhou muitos nomes da MPB, entre eles a Elis Regina e o Djavan. Já gravou com tantos outros e fez turnês quase pelo mundo inteiro. Sem dúvida, ele tem muita história para contar. Atualmente, Sizão se dedica também à didática musical, a um estúdio e está gravando um novo CD. A nossa entrevista aconteceu em São Paulo no dia 11 de agosto de 2006. Mariana Sayad
Entrevista com Sizão Machado Por Mariana Sayad Nome Completo: Fernando de Jesus Machado Filho Vozes da Música Instrumental - Fale sobre a sua formação musical Sizão Machado - Na minha família, todo mundo é muito ligado em música. O meu avô era flautista, mas naquela época não podia ser profissional sem ser segregado e passar fome. Ele tocava e tinha sarau de choro em casa. Ele tocava numa orquestra e eu ia com ele. Ele me puxou muito, meio que me adotou como sendo o preferido. Eu tive muito incentivo por parte dele e por parte de toda a família. Eu comecei a estudar piano com uns seis anos de idade, até uns doze. Depois, comecei a estudar violão. Comecei a tocar guitarra, a tocar rock na escola. Fui começando e fui vendo aquela coisa cada vez mais se fortalecer. Da necessidade de viver disso. Tinha outras opções, fazer cursinho, prestar história, mas não entrei. Eu me tornei profissional com uns 19 anos. Comecei a estudar formalmente contrabaixo com método e professor. Estudei com no Clam. Estudei com o professor Tibor Reisner, era o baixista da Jazz Sinfônica, que já morreu. Estudei harmonia com o Ricardo Risek, estudei com o Cláudio Leal Ferreira no curso de harmonia. Eu tive algumas aulinhas com o Maestro Moacir Santos. Na verdade, eu privei da camaradagem dele algumas vezes. Para mim, todo aquele papo, foi aula. Não só de música, como de vida com alto teor filosófico. Muita coisa eu aprendi na rua mesmo e na prática. Com 21 anos, eu estava tocando com a Elis, ou seja, sorte. Completamente, em formação e já estava dentro... É o trabalho mais ambiciado, sei lá, era o melhor que eu podia arrumar no Brasil. Nessa época, eu fiz contatos com monte de gente com quem eu trabalhei, conheci, gravei e toquei. Eu tive muita sorte no começo da minha carreira. Eu conhecia muita gente, que também estava apta para estar ali. Aquele negócio, sempre em contato com a música em várias maneiras. Há uns 12 anos, eu estou aqui nesse estúdio, do qual eu faço parte da sociedade e tal. A música como narrativa para publicidade, ou seja, nós temos esse estúdio aqui, pois todo mundo é músico. Nós fazemos nossos trabalhos artísticos aqui e é uma maneira de ganhar dinheiro também. Você vai aprendendo novas maneiras de expressar, um caminho sempre novo. E que mais? Voltei a estudar agora com o Tibô Delor, mais para dar uma reagrupada na minha didática. Eu estou dando muita aula agora e a moçada é muito exigente. Eles são muito rápidos, você precisa organizar a didática de uma maneira produtiva. Tudo isso, eu estou revendo. Eu não fiz licenciatura. Por enquanto ninguém reclamou. VMI - Fale sobre suas principais influências. SM - Fundamentalmente, eu absorvi muito sem querer. Era como se fosse algo que me envolvesse. Era um feitiço. Eu fui muito influenciado pelo Luizão Maia, de quem eu me tornei amigo. Tem um monte de outras pessoas, alguns contemporâneos meus. O Luizão acima de tudo, Zeca Assumpção. É claro que todo mundo é importante, me fixava muito vê-los tocar. Acho que consegui ficar tocando com a Elis esse tempo, porque eu conhecia a maior parte do trabalho dela por causa do Luizão. Era uma turma ótima ali, ela o César... Uma maravilha. Mas a maneira como o Luizão se colocava, foi um cara que tirou o contrabaixo daquela posição de retaguarda para ser um protagonista mesmo. Central, muitas vezes. Faço uma comparação com o futebol: eram dois laterais e os zagueiros ficavam lá plantados na área e, hoje, o zagueiro é livre e faz gol de cabeça. Eu acho que o Luizão é o principal responsável pela renovação do instrumento. Isso até hoje faz a minha cabeça. O que me impressionava era a nova sonoridade e muita personalidade. É difícil não se reconhecer. Eu gosto muito dessa coisa. Quando o estilo se torna reconhecível. Quando ouve uma pessoa tocar e saber quem é. Claro que um monte de outros baixistas, o Paul Mccartney, o Tião Neto, Luiz Chaves, que me deu alguns toques. Eu estudava na escola dele com o Celso, mas ele era o cara. Na verdade, toda a informação que você absorve, ela gera uma ação. Difícil centralizar numa coisa só. Acho que o mais forte mesmo foi o Luizão. Muita coisa da música brasileira também. Como o Tom Jobim e a maneira dele colocar as coisas. Mais tarde, o maestro Moacir Santos. Quando eu tomei conhecimento do tamanho da generosidade desses caras. Tudo era meio absorvido. Vai criando um grande arquivo com as coisas que você mais gosta de ouvir e consumir. VMI - Você já acompanhou grandes cantores da MPB. Como era essa relação? Cite alguns deles e comente algumas impressões mais marcantes. SM - É uma relação característica. Nós temos um ego muito exacerbado. Nós nos damos mais valor do que as outras pessoas dão. Nós criamos expectativa de alguma coisa e nos decepcionamos. Depois que amadurecemos, vemos que foi um exagero da nossa parte. Como músico acompanhante, foi o que me manteve durante um tempo e não posso negar que me fez muito feliz, que me ajudou muito a criar a harmonia, a linguagem para o meu instrumento. Enfim, é uma relação profissional. Eu nunca tive problema. As coisas sempre aconteceram meio como tinham que acontecer e tal. Eu toquei com todo mundo. O povo da MPB da década de 70 e 80, eu trabalhei com muita gente. Mais em 80. Eu trabalhei com a Elis em 1977, em 79 conheci o Djavan e trabalhei uns 10 anos com ele. Trabalhei com a Simone, gravei com a Gal Costa, com o Chico. Um monte de gente da época. A Alayde de Almeida. Enfim, aprendi muita coisa com toda essa gente. VMI - Como você conheceu a Flora Purin e o Airto Moreira? SM - Quando eu estava começando a me tornar profissional, eles tinham acabado de ir aos Estados Unidos. Então, só o fato de sair daqui e gravar com o Miles Davis, já era notícia. Muita gente que não os conhecia aqui tomou conhecimento deles porque veio de lá. Nós mamávamos muito desse leite deles. Nós acompanhávamos muito essa época da música brasileira, que eles chamam lá fora de Brazilian Jazz, que é o Gismonti, Airto, Flora, enfim um monte de gente que está lá. Nós consumíamos isso. Um amigo meu, grande amigo, com que eu tocava nessa época viajou aos EUA e não voltou mais, se estabeleceu lá. Toca com a Flora e o Airto há 20 anos. Eu os conheci pessoalmente lá em Los Angeles numa festa. Nós fomos tocar com o Djavan e depois fomos para casa de uns amigos e os conheci. Mas eu só fui tocar com eles depois, em 1998. Eu fui fazer um trabalho com o Heartbreakers e estava rolando um festival de jazz, e os caras estavam no mesmo hotel que eu. Encontramos-nos lá. Enchemos a cara: eu, o Airto e mais uns amigos. Depois fui dormir naquela ressaca e tocou o telefone, era o Neto, o meu amigo que foi tocar com eles, dizendo para eu descer que a Flora queria conversar comigo. Eu desci, ela veio com uma fita cassete e duas folhas de papel com letras de música e disse: “Eu estou gravando um disco duplo de músicas só do Milton e quero que você grave comigo. E eu queria que você fizesse uma temporada com a gente em Londres agora em fevereiro”. Eu falei: “Será que eu estou ouvindo direito?” Eu já estava lá naquele paraíso tocando música brasileira e salsa, me divertindo muito e mais isso. Obrigado. Nós ensaiamos uns dez dias em São Francisco. Depois , nós fomos para Londres, onde ficamos um mês fazendo temporada, que foi ótima. Depois, encontrei com eles no festival de percussão, nos falamos por e-mail algumas vezes. Encontramos-nos numa festa de fabricante de bateria, mas faz mais ou menos um ano que não falo com eles. Era bom se aparecesse qualquer coisa. Eu estou com saudade deles. VMI - Fale um pouco sobre as suas turnês internacionais. SM - É engraçado. Há lugares em que você conhece quando se tem tempo para ir à cidade para conhecer um pouco da essência e da vida dela. Eu fazia turnê com a Joyce, com o Djavan, com o Ivan. Na Alemanha, nós fazíamos 18 shows em 20 dias. Viajávamos de carro de manhã, almoçávamos, descansávamos e íamos para o show, depois dormíamos e íamos embora já no dia seguinte. Nós não víamos nada da cidade. Mas tinha outras cidades, que tínhamos mais tempo e quando isso acontecia, fazia muitos amigos. Em Los Angeles , NY, Miami, Cuba, Madri, Paris, Roma, Tóquio. Nesses lugares, em que fiquei mais tempo consegui não só conhecer mais da vida deles, como eu fiz grandes amigos. Pude saborear um pouco do contraste cultural, que sempre existe. É diferente conhecer um português lá em Portugal do que conhecê-lo aqui. É outro ritmo e outra maneira de apresentar. Algumas turnês eram muito cansativas. Tudo era muito corrido, no final, nós terminávamos uma turnê dessas com tendinite nos dois braços de tanto carregar instrumento e mala para o aeroporto. Precisa ter idade para fazer isso e eu não tenho mais paciência. Hoje, eu penso duas vezes quando me chamam para viajar. Até porque estou numa fase muito caseira. Prefiro viajar aqui dentro. É uma delícia viajar, claro, mas de férias e com dinheiro no bolso. A parte mais delicada das turnês é o convívio, pois é um monte de gente fora de casa num lugar estranho e convivendo todos os dias. Precisa ter estrutura pessoal para manter aquilo harmonioso. Em muitas situações, se bobear, você estressa. Porque você já está num pique estressado. Quando é algo mais calmo, é mais gostoso. Em 1999, fizemos alguns festivais de jazz na Alemanha com o Herbie Mann, em que tinha lá um alemão que tocava vibrafone e harmônica super bem, chamado Hendrik Meurkens. Ele armou uma história com o Herbie, com o baterista Cláudio Sion e o violonista Romero Lubambo. Grande cara. Foi muito bom. Outro ambiente na música instrumental. Era tudo mais calmo. Quando você viaja com o compositor de nome no Brasil, é diferente. Mesmo a Joyce, que é uma cantora e compositora, mas eles a enquadram numa outra faixa, ela não é considerada uma pop star e, sim, jazz brasileiro. E assim é muito agradável. Só de você conviver com os costumes diferentes. O Japão é um susto quando se chega lá. É o lugar mais longe daqui mesmo. A primeira vista o choque cultural é um tremendo impacto. Depois, você vai se entregando para aquilo ali e começa a entender o jeito daquelas pessoas. O que funciona e o que poderíamos aprender. Podemos até melhorar. O bom também é voltar. Eu já tive várias oportunidades de ficar fora do Brasil e tenho certeza, que se tivesse ficado, eu teria me estabelecido bem, harmonicamente e conseguiria viver bem do que eu faço fora daqui também, mas sempre que passava um tempinho... Eu nunca consegui ficar mais do que seis meses fora do Brasil. Não agüentava, com saudade daqui, dos meus filhos e da minha casa. VMI - Como a música brasileira é recebida lá fora? SM - Muito bem. Sempre muito bem. É indiscutível. Eram duas coisas, eu ouvi isso da boca de um italiano: para o futebol e para música não existe como os brasileiros. Hoje, eu acho que é só para a música. Até agora, é aquilo que eu falei a música brasileira é a única instituição que ainda vale a pena. Você se entrega para aquilo e ela supri. Da parte dos estrangeiros, dos europeus, japoneses e americanos. Os americanos um pouco menos, mas é claro que o americano é diferente, ele quer incorporar particularidades da música brasileira, caribenha, africana na música deles. Eles não querem tocar samba como nós, eles não estão interessados nisso. Já os europeus e os japoneses é o contrário, eles valorizam aquilo, que é o mais genuíno. Um pensador do renascimento, não lembro quem foi disse: “se quiser ser eterno canta a sua aldeia”. Se quiser ser conhecido... VMI - Como foi a gravação do CD “Quinto Elemento”? SM - Foi longa. Dez anos fazendo esse disco. Eu resolvi fazer um disco e não dei prazo para acabar e nem formatei muito a coisa na minha cabeça. Ele foi se compondo. Até porque o tempo entre a gravação de uma música e outra foi longo. O disco foi gravado em três estúdios diferentes. Eu comecei gravando no Rio e chamei as pessoas que eu gostava para uma confraternização. Chamei o Luizão para tocar baixo no meu disco (risos). Nós dividimos uma faixa, que foi muito legal, com o Wilson das Neves, o Marçal, o Pirulito, uma galera da pesada. O Fernando Barros , Paulo Barães e Raphael Rabello, que eu tenho muita saudade. Eu tinha uma faixa na mão, depois eu compus outro negócio e um amigo, que tinha um estúdio, me chamou para gravar. Fomos lá e gravamos mais uma faixa. Eu cismei com uma música e fiz um arranjo só para contrabaixo, do Chico e do Vinicius. Eu já tinha três músicas, depois gravei mais uma, em que era uma composição minha. Ele foi acontecendo. Eu comecei a fazer isso em 1990 e lancei em 2000. É aquele negócio, o que seria da gente sem os amigos. Não sei, mas são 34 ou 37 músicos que tocam neste disco. Ou seja, só isso já é uma premiação. Tanta gente boa e maravilhosa. Estas pessoas dando o melhor delas para a arte. Fundamentalmente pela amizade, pelo gosto à música. Aquele negócio, se eu pudesse estar fazendo esse disco, eu ainda estaria, mas a gravadora fez certa pressão para entregar. Nós nunca acabamos. Mais fácil nós cansarmos dele, então, nós mandamos mixar. Eu comecei a fazer um outro no mesmo esquema. Eu queria reduzir um pouco as formações porque está todo mundo muito ocupado. Eu já comecei e vamos ver quando acaba. Eu não tenho compromisso nenhum para acabar, nem hora, de maneira nenhuma. Sem nenhuma diretriz. Vai ser instrumental, isso não quer dizer que alguém não possa cantar como no Quinto Elemento, nós cantamos alguma música. Eu cantei numa música, eu cantei não, como era o meu disco, eu posso fazer o que eu quiser (risos). Enfim, vamos ver o que acontece daqui para frente. O Quinto Elemento, eu arranquei de dentro. Agora, eu tenho um estúdio, é fácil gravar. É nada, pois estou sempre ocupado. Por isso, precisamos nos cutucar um pouco para gravar. Marcar horário e colocar as outras coisas na espera. Se eu não tivesse estúdio, talvez fosse mais fácil, pois eu ia lá e gravava tudo de uma vez e ia embora. VMI - Antes de gravar o seu disco, você participou da gravação de vários. Existe algum que você considera mais importante? SM - Tem. Na verdade, todos esses artistas com quem eu trabalhei que me tornei mais íntimo. Você precisa de tempo para amadurecer, tem um disco que é um cartão de visita, eu acho, que é um disco do Rick Pantoja com o Chet Baker. Nós fizemos aqui no Brasil, quando ele veio na primeira edição do Free Jazz, nós montamos um grupo com o Chet, o Nicola Stilo de flauta, um grande músico, o Bob Wyatt na bateria, o Rick e eu. Além de ser música instrumental brasileira, ainda tinha o Chet Baker na história. Fazendo disso, um grande acontecimento para gente. Isso deu muita honra e muito prazer de tocar com ele. Quando eu fui para Europa, nós trabalhamos lá um pouco juntos em alguns lugares em Paris e fora de Paris, mas tudo dentro da França. Depois, eu fui embora e ele continuou a turnê. Esse disco foi muito importante. O disco que gravei com a Elis “Transversal do Tempo” foi muito importante. É engraçado que quando ouve disco, você sente. Ela passa no disco muito da coisa que ela passava ao vivo. Tinha algo teatral na história, o enredo muito bem cuidado, um cenário e uma direção. Era um show muito engajado politicamente e crítico. E muito som. A mulher era um absurdo. Era fascinante. A maneira como ela se entregava para aquilo. O resultado que ela conseguia era um absurdo, quase sobre-humano. A força e a magia, que ela tinha. Ela em cena, cantando é indescritível. Eu aprendi muito com ela. Eu sou muito grato a ela. VMI - Como foi a criação de seu estúdio? SM - O estúdio já existia, eu é que impus a minha entrada na sociedade. São grandes amigos de anos. Nós nos encontramos numa época da vida, eu até estava morando fora de São Paulo. Encontrei com eles e vim para cá. Gostei de ter encontrado de novo, pois são pessoas que eu sentia muita saudade. Todos os músicos do coração. Em princípio, eles não queriam mais um sócio, na verdade, eles queriam tirar um cara que estava aqui, de quem eu comprei a parte, o Jean deu uma força, mas o Lazaro não queria aumentar a sociedade. Eu sei que me impus um pouco, no fim claro, todos apoiaram. Eu acho que daqui eu não saio nunca mais, aqui é um dos poucos lugares em que me sinto bem, rodeado de gente que eu adoro. São pessoas confiáveis e sei que posso contar. Eu até procuro não dar muito trabalho, só usar o cartucho quando não tiver muito outro jeito. É uma parte muito importante da minha vida. VMI - Isso foi em que ano? SM - Foi em 1994, que eu os reencontrei. Aí começamos a trabalhar junto. Começamos a trabalhar aqui antes de sermos sócios. Eu fiz algumas produções aqui, aprendi a linguagem, mas eles já estavam nessa. O cabeça dessa história é o Lazaro. Ele foi o cara que se manteve até hoje na sociedade. Quando começou, era nove sócios, um absurdo. Ele sempre foi o cara que acreditava na coisa, fazia dar certo e isso aqui está em pé muito por causa dele. Eu acho que se eu tivesse na posição dele, não teríamos conseguido, pois eu sou muito disperso admistrativamente. Isso aqui é o que segura a minha parte emocional e de grana. Aqui, eu tenho espaço para fazer o que quiser. Fora o privilégio da companhia e amizade deles. VMI - O que você acha da nova geração de músicos? SM - Maravilhosa! Eu estou vendo isso aí acontecer. Eu estou vendo ela se formar. Sinceramente, nessas duas escolas, que eu estou trabalhando, eu me emociono toda hora com eles. Eu tenho certeza que vai ter muita gente boa, já está, estão só esperando para desabrochar. Nossa quanta coisa, quantos músicos jovens, virtuosos e cheios de personalidade. Os caras têm o que dizer. Eles estão sabendo se comunicar. Acho que vem por aí uma barra pesada. Uma molecada danada. Graças a Deus, são os heróis da resistência. Cada vez mais abertos. VMI - Para você, qual é o futuro da música instrumental no Brasil? SM - A música brasileira e a música no Brasil têm a possibilidade de evoluir sempre. Se Deus nos ajudar e a Nossa Senhora do Bom Parto não atrapalhar (risos), o futuro será brilhante porque a julgar pela melhora da didática, o ensino mais acessível, mais gente, por exemplo, a criação da ULM, desse monte de festival de música dentro do Estado e fora. Essas coisas, quanto mais elas proliferarem, melhor será para a música. Se ninguém atrapalhar, como uma ditadura, uma guerra, coisas que nós estamos distantes nesse momento. Se não acontecer nenhuma desgraça dessas, o futuro será maravilhoso, promissor e brilhante. Sizão, muito obrigada! |